O FIAC nem termina. A morte de Neguinho do Samba coloca o Pelourinho em luto, e o governo proíbe qualquer festa ou atividade no local. Wagner Moura não cantou nem a Sua Mãe. Chora-se por Neguinho, mas pelo FIAC comemora-se.
O não-fim traz grande perspectivas. O festival deve continuar. E assim, Salvador, ou pelo menos eu, aguarda a próxima edição. Foram nove de dias de espetáculos e oficinas. Eu diria, uma oportunidade de ver o que se produz em outros estados, ou mesmo em outros países. E assim, observa-se, desfruta-se, diverte-se e claro, se compara.
Não sou do tipo que considera tudo de fora melhor. Os estrangeirismos, ou mesmo o “sudestismos”. Não. Mas sai do FIAC com essa sensação, e me perguntando o que se produz em Salvador. De tudo que vi, mesmo entre as coisas que não gostei, percebi um cuidado e uma produção engajada na mensagem que tenta transmitir ao público. E o que é que nós queremos mostrar ao nosso público?
Me senti, de repente, na pequena província que todos, quando querem criticar a cidade, se referem. E na pequena cidade se faz teatro pequeno, sem aprofundamento, sem o profissionalismo necessário.
Fiz 25 anos, trabalhando, assistindo e respirando teatro. Tenho pelo menos outros 25 anos para ver as coisas mudarem por aqui. Que nao leve tanto tempo!