64. Palhaços

Postado em Sem categoria em Novembro 7, 2009 por Rê

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Minhas lembranças infantis sobre palhaços, eram daqueles que ficavam em frente ao circo que se instalava ao lado do Shopping Iguatemi. Esses personagens tentavam sempre vender um bonequinhos que entrava dentro de um cone (clowntemaki…rs). Nunca fui muito entusiasmada. Acabava  sempre meu pai me forçando a conversar com os palhaços, como ele me forçava a conversar com o  anão do  Baby Beef. Situações nunca muito agradáveis.

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63. FIAC

Postado em Sem categoria em Novembro 3, 2009 por Rê

O FIAC nem termina. A morte de Neguinho do Samba coloca o Pelourinho em luto, e o governo proíbe qualquer festa ou atividade no local. Wagner Moura não cantou nem a Sua Mãe. Chora-se por Neguinho, mas pelo FIAC comemora-se.

O não-fim traz grande perspectivas. O festival deve continuar. E assim, Salvador, ou pelo menos eu, aguarda a próxima edição. Foram nove de dias de espetáculos e oficinas. Eu diria, uma oportunidade de ver o que se produz em outros estados, ou mesmo em outros países. E assim, observa-se, desfruta-se, diverte-se e claro, se compara.

Não sou do tipo que considera tudo de fora melhor. Os estrangeirismos, ou mesmo o “sudestismos”. Não. Mas sai do FIAC com essa sensação, e me perguntando o que se produz em Salvador. De tudo que vi, mesmo entre as coisas que não gostei, percebi um cuidado e uma produção engajada na mensagem que tenta transmitir ao público. E o que é que nós queremos mostrar ao nosso público?

Me senti, de repente, na pequena província que todos, quando querem criticar a cidade, se referem. E na pequena cidade se faz teatro pequeno, sem aprofundamento, sem o profissionalismo necessário.

Fiz 25 anos, trabalhando, assistindo e respirando teatro. Tenho pelo menos outros 25 anos para ver as coisas mudarem por aqui. Que nao leve tanto tempo!

62. Pequena

Postado em Sem categoria em Setembro 26, 2009 por Rê

A pequena menina que mora dentro de mim, ve sua saia antiga em outro corpo. Descobre então por onde andava a velha companheira, em outros armários. Deseja por um instante a tê-la de volta: mesmo suja, rasgada e já sem cor. É minha. Menina malcriada não sabe dividir, nem dar. Alma de filha única, embora não fosse.

De longe ela observa sua saia ir e voltar, subir e descer. Se lembra dos lugares onde ela foi, dos momentos em que usou e quando a procurou . A menina egoísta vê a antiga amiga ir embora. E sente saudade, não inveja, saudade.

Saudade enorme não da saia, mas das histórias da saia, que agora deve estar contando suas aventuras com fervor em outro armários, para outras camisetas e saias.

Procuro uma nova saia que não se saia em outros corpos.